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terça-feira, 10 de junho de 2008

E viva a diversidade Humana! Aha, uhu

Como estou totalmente sem tempo de escreve aqui, vou contar uma situação pitoresca que vivenciei essa semana.

Dia desses, eu estava querendo ler um livro mais, digamos, divertido e relaxante.
Ao abrir minha estante, percebi que não havia tal artefato e acabei pegando um livro do Nietzsche que na verdade pertence ao meu pai. Por mais que pareça estranho (coisa de nerd mesmo), eu tenho me divertido lendo esse livro, pq o Nietzsche é bem debochado (pelo menos me parece) e ele debocha de coisas que são super valorizadas pela cultura clássica.

Há mais ou menos um ano atrás (17/06/07) eu escrevi um post sobre um livro que eu havia dado de presente chamado "Nietzsche e a Educação", post no qual, entre outras, coisas eu comentava que nunca tinha lido nada sobre esse filósofo.

Mas, o fato pitoresco em si, é que nessa semana, em uma das minhas idas à Friburgo para ar aulas, saquei o livro e comecei a ler. Logo após ter pego o livro, percebi que a senhora sentada ao meu lado no ônibus havia feito o mesmo. Após algum tempo, parei de ler e fiquei pensativa olhando a paisagem, mas não contive a curiosidade e dei uma olhada no livro em que a tal senhora estava lendo. Ela lia o "livro mais lido do mundo", ou seja a Bíblia.

Comecei a rir, pois o último parágrafo do meu livro criticava justamente as crenças judáico-cristãs e bem ao meu lado uma pessoa lia a bíblia.

Comecei a me sentir muito estranha naquele ambiente, muito estranha entre aquelas pessoas, muito distante daquela realidade. Não porque eu achava que tudo o que o Nietzsche dizia fazia sentido e que as religiões fossem um mal a ser combatido, mas porque fiquei pensando que a maioria das pessoas ali sequer se permitiriam questionar isso (ou seja, dar o benefício da dúvida às suas crenças).

Será que o conhecimento isola as pessoas em ilhas?

Só de curiosidade, o livro que eu estava lendo era "O Crepúsculo dos Ídolos" e o que a senhora estava lendo era o livro de Amós, que é um dos últimos textos do Antigo Testamento que eu nem conhecia, mas andei dando uma olha e vi que fala bastante do julgamento daqueles que não seguirem as palavras de Javé.

Viva a diversidade humana!!!

ziriguidum, ziriguidum...

PS: Pessoas, comentem. As visitas a esse espaço tem rolado, mas fico sem o famoso "feedback"!

domingo, 1 de junho de 2008

Sobre o caso de amor entre a Mulher e o Livro

Bem, estive meio ausente daqui pois fui chamada em um concurso para professora de Ciências e estava às voltas com a posse, escolha de colégio, etc.

No final de semana passado, embora a minha resistência a comprar livros novos, uma vez que tenho alguns em minha prateleira que eu nunca li (e sempre digo que só comprarei um novo se ler os que eu tenho) fui "seduzida" por um livro, se é que você me entende.

Eu entrei na livraria com uma amiga. Estava decidida a não comprar nada, mas uma amiga me indicou um autor. Ela disse, "Bel, acho que você vai gostar desse cara aqui..."

Dito e feito. O cara, é o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Depois eu vim a saber que ele é muito conhecido, mas eu fui "apresentada" a ele ali e foi "amor a primeira vista".

Ele é um teórico sobre a pós-modernidade. Um tema que eu falo com recorrência, apesar de ainda estar tentando entender. rs.

De acordo com o site wikipédia O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, um dos principais popularizadores do termo Pós-Modernidade no sentido de forma póstuma da modernidade, atualmente prefere usar a expressão "modernidade líquida" - uma realidade ambígua, multiforme, na qual, como na clássica expressão marxiana, tudo o que é sólido se desmancha no ar.

O livro que eu comprei chama-se "Medo Líquido". Infelizmente não estou tendo o tempo necessário para "degustá-lo", mas assim que isso for possível, eu comento sobre ele por aqui.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

De volta as questões da professora

Olá meus caros,
Vou interromper os posts sobre as visões sobre o feminino para um breve desabafo docente. Em breve eu continuo...

Fim de bimestre é quando ser professor se torna mais intenso em nossas vidas!
Isso certamente é decorrente das famosas provas bimestrais.
Ontem falei (às 23h) com um amigo que prepara 3 provas e hj falei com uma amiga que ia passar o feriado corrigindo-as. Eu mesma nesse momento estou em casa, corrigindo as provas dos meus aluno. Pretendo passar o dia inteiro (até a noite) fazendo isso, mas em um período de tédio, resolvi passar aqui e escrever.

Como diz o Philippe Perrenoud: "a avaliação pode assumir cerca de um terço (ou até a metade) do tempo gasto por um professor, tanto em sala de aula, quanto na preparação. A elaboração das provas e sua correção representa um fardo bem conhecido no trabalho solitário dos professores."
"As práticas correntes de avaliação tomam um tempo considerável e absorvem muita energia e engenhosidade, tanto dos professores quanto dos alunos. Mesmo que o professor não crie sozinho seus instrumentos de avaliação a cada ano, não cessa de remanejá-los e de hesitar em diversas soluções: partir de uma prova antiga ou de uma prova administrada por um colega, partir do zero e preparar uma prova totalmente nova, combinar dois métodos; deve-se ajustar as provas antigas a que se ensinou realmente, renunciar a certas questões que não convém mais, introduzir novos temas, reformular certas instruções."

Realmente eu percebo que é exatamente assim que eu procedo, e vejo meus amigos fazendo o mesmo.

Perrenoud continua:
"O investimento , por parte dos alunos, é diferente, mas não menor. Em torno da avaliação se estabelecem competições, estresse, sentimentos de injustiça, temores em relação aos pais, ao futuro, à auto-imagem. A avaliação implica as famílias e mobiliza também suas esperanças e suas angústias, que pesam direta e indiretamente sobre os alunos e professores."

Tento sempre ter em mente essas idéias e toda vez que passa pela minha cabeça a idéia de fazer uma prova digamos punitiva (do tipo, fazer uma prova muito difícil para "ferrar" com uma turma barulhenta) relembro desse texto e de cada indivíduo que é afetado com esse tipo de atitude vingativa de determinados professores. Além disso, como dizem os behavioristas, punir não é nada aconselhável em um processo de aprendizagem (isso eu tenho que concordar, apesar de discordar de muitas coisas do behaviorismo).

No fim, sempre resta a dúvida: o que fazer? Deixar de aplicar provas?
Não acredito muito nessa idéia, afinal, a prova é um momento que o aluno tem para organizar suas idéias de forma individual, só ele e seus pensamentos.
Na outra mão, o professor pode avaliar essa produção individual, a expressão escrita desse aluno e trabalhar essas questões, afinal aprender a se expressar é mais importante do que aprender qualquer conteúdo específico.

Como fazer então para que as provas não sejam tão massacrantes e enfadonhas na vida do professor e do aluno?
Isso é um grande busca minha como professora... estou aberta a sugestões :)

Bom, agora volto para a minha correção, hehe;

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Philippe Perrenoud - Avaliação - Da Excelência à Regulação das Aprendizagens - Entre Duas Lógicas - Editora Artmed (a parte que eu cito está no capítulo 4 - Os procedimentos habituais de avaliação, obstáculos à mudança das práticas pedagógicas)