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sexta-feira, 4 de julho de 2008

Observando a diversidade

Dou aula em um colégio que tem alunos com realidades muito diversas. Lá há alunos muito pobres, que vivem com situações muito precárias, alunos classe média de todos os tipos e alunos com muito dinheiro.
O que diferencia as pessoas, é claro, não é o dinheiro, mas é também claro que, pessoas com realidades sócio-econômicas tão distintas, tendem a ser muito diferentes.

Você pode se perguntar, como essas pessoas convivem em um mesmo colégio e eu te respondo, esse colégio é um colégio público de qualidade, que atualmente conta com um acesso democrático, ou seja, a entrada de alunos é por sorteio, então, lá encontramos indivíduos muito diversos.

Essa diversidade, certamente tem um impacto muito grande no meu trabalho, mas não chega a ser um problema, e sim um desafio: o desafio de enxegar as particularidades e entender como elas afetam (ou deveriam afetar) meu planejamento e ações.

Quando eu comecei a dar aulas em um colégio particular, a princípio, achei que os alunos tinham realidades mais parecidas entre si, mas com o tempo, convivendo mais e, digamos, enxergando melhor, vi que as diferenças existem, porém são menos evidentes.

Essas diferenças não poderiam deixar de existir, pois, se pensarmos bem, entre outras coisas, não existe mais um padrão familiar. Há famílias, com pais (juntos ou separados), padrastos, madrastas, namorados, com ou sem irmãos, enteados, etc, e essa diversidade certamente se reflete na formação das crianças e dos adolescentes.

Acho que não devemos nos prender em estereótipos do tipo: se o aluno é pobre tem problemas, se o aluno é rico, não tem do que reclamar.

O ser humano é muito mais complexo do que isso, e essa percepção da complexidade é fundamental para o trabalho docente.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Vamos fugir???

Oi Povo!

Estava meia sem tempo de escrever aqui, mas, graças a uma faringite, estou há dois dias de molho em casa.

Você acredita em um fundo psicossomático para doenças?

Então imagine uma professora insatisfeita que é acometida por uma doença que a impede de falar e voi là: temos euzinha aqui!

Assumi um emprego em um colégio público há umas 3 semanas. Até agora não vi nada de bom lá, e desabafando, sem muita censura (mas talvez com um pouco de eufemismo) posso dizer que o salário é muito ruim, os alunos muito mal educados, os professores desmotivados, isso sem falar na falta de infra-estrutura e um clima constante de histeria coletiva.

Ontem, enquanto eu estava de molho em casa, com febre e sem voz, vi uma reportagem no "Jornal Hoje" sobre uma doença chamada "Síndrome de Burnout", que em geral acomete professores. Fiquei impressionada em como eu me identifiquei com essa reportagem, quer dizer, eu que já dou aula há uns 5 anos, estou me sentindo assim por causa de 3 semanas de trabalho em um colégio onde não consigo enxergar nada de bom. Onde a crença na minha profissão está se esvaindo.

Uma coisa é você ouvir falar sobre a dura realidade das escolas públicas desse país, outra coisa é vivê-la. Achei que o que eu tinha vivido trabalhando em um pré-vestibular social e em um bom colégio público se aproximava disso. Hoje vejo que nem chegava perto.

Não tenho nenhuma conclusão, só deixo o desabafo e o vídeo (no link abaixo)para que vocês entendam um pouco como me sinto, acrescentando apenas minha enorme vontade de "jogar a toalha".

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM842594-7823-PROFESSORES+SOFREM+COM+SINDROME+DE+BURNOUT,00.html

terça-feira, 13 de maio de 2008

Vamos falar sobre ...?

Lembra-se que na descrição do blog eu disse que se tudo desse errado eu ia apelar??? Calma, eu não vou apelar, ainda não, é que uma coisa me chamou atenção nas aulas dessa semana: o interesse dos meus alunos por sexo.
Os alunos em questão tem em média 12 anos, ai você pode pensar, nada mais natural do que eles pensarem bastante sobre isso, não é mesmo? Afinal os hormônios sexuais deles estão atingindo níveis nunca antes alcançados. Mas a questão é que as perguntas dele não são triviais, eles tem perguntado sobre questões relacionadas a zoofilia, pedofilia, incesto, abuso e por ai vai.
Isso realmente me surpreendeu, afinal, eles aparentemente não passam por situações semelhantes e nessa faixa-etária é comum o interesse por coisas mais triviais como masturbação, menstruação, etc.
Comecei então a investigar e foi ai que o tão falado "papel da mídia" se fez presente. É comum responsabilizarmos a mídia por questões preponderantes em nossa sociedade como se ela fosse uma espécie de entidade que nos manipula. Entretanto, os defensores da mídia, dizem que ela é simplesmente um reflexo da nossa sociedade.
Não vou me ater aqui, neste "post" a discutir sobre isso e sim dar exemplo de notícias que são digamos "jogadas" pela grande mídia em qualquer horário e que, pelo que pude perceber, fizeram com que emergisse em meus alunos questões relacionadas a sexualidade.
O primeiro caso foi o do jogador Ronaldo, que se envolveu com travestis. Parece-nos já banal zombar da atitude do jogador, mas dessa situação surgem questões relacionadas ao gênero e a orientação sexual.
O segundo caso é do austríaco que manteve uma filha presa, sofrendo incesto e abusos constantes.
Outro caso bem comum são os espaços destinados a pedofilia na internet.
Hoje, não basta a um professor discutir apenas questões relacionadas a reprodução e a sexualidade considerada dentro de uma normalidade (normalidade no sentido de maioria e não de correto). Os adolescentes são "bombardeados" por casos como os citados acima, em um momento em que ainda estão começando a entender sobre sua própria sexualidade.
Na dúvida de como abordar certos temas, pelo menos em relação aos abusos, tentei deixar claro para eles que qualquer imposição é uma forma de abuso e que nenhum menor é responsável por uma atitude indevida de um adulto. Além disso, tentei mostrar as formas de denuncia, explicando inclusive o dever de todo responsável (o que inclui professores) de denunciar esses casos ao conselho tutelar.

Ah! Para quem é professor ou apenas se interessou pelo tema educação sexual, recomendo fortemente assistir ao filme "Kinsey, vamos falar sobre sexo?" disponível em locadora. Kinsey foi um biólogo que se propôs a estudar a sexualidade humana, publicando um famoso livro intitulado "Relatório Kinsey". O mais interessante que o que motivou os estudos de Kinsey sobre o tema foi a própria repressão sexual que ele sofreu em sua criação, o que acabou tendo conseqüências em seu casamento. Até então, ele estudava diversidade de vespas.
Aos mais reprimidos, aviso logo que o filme tem cenas de sexo, então não convide seus avós (ou qualquer outro parente) para assisti-lo com você em um domingo a tarde, a não ser que seus avós e você sejam pessoas bem liberais.

domingo, 4 de maio de 2008

Humanizando a natureza

Um dos principais problemas que enfrento com meus alunos é o fato de que eles humanizam demais a natureza. As pessoas em geral fazem isso, e nesse processo, vêem intencionalidade e moralidade na ação de animais e utilidade nos demais seres.

Para citar um exemplo, em uma prova, vários alunos meus disseram que o mosquito da dengue não tem "culpa" de nos picar. Agora imagine, um mosquito lá tem culpa, ou qualquer outro sentimento humano?

Já as plantas, que em geral nem é visto como ser vivo, existem para limpar o ar e produzir o oxigênio para nós respirarmos. Entretanto, se olharmos do ponto de vista evolutivo, a fotossíntese surgiu muito antes de qualquer animal, então como ela pode existir para servir a estes animais?

Podemos perceber claramente esse processo de humanização em animações como as da Disney. Os animais tem atitudes humanas e até características físicas humanas (são bípedes, tem visão binocular). Sempre penso no exemplo do nemo. Na natureza, um peixe com uma nadadeira deformada seria facilmente devorado, mas no caso do filme, todos os seres do mar se preocupam com ele.

Essa visão sobre natureza poderia ser interessante do ponto de vista conservacionista. As campanhas de preservação de animais bonitos e "fofos" como baleias, golfinhos, são mais bem sucedidas. Li uma reportagem no G1 sobre isso: as pessoas tendem a gostar de animais aos quais associam características valorizadas em seres humanos (como beleza, força, coragem, justiça) e a rejeitar alguns animais pelo mesmo motivo. Assim, lutando pela conservação de uma espécie "querida", preservamos o ambiente onde ela vive e as outras espécies presentes neste ambiente. Um aluno meu da graduação deu o exemplo da onça, pois para cada onça sobreviva é preciso preservar 50 km2. É claro que também é importante desmistificar essa idéia de que alguns animais são bons e merecedores de atenção e outros são desprezíveis e nesse processo é preciso combater essa visão humanizadora sobre os demais seres vivos.

O engraçado é que ao mesmo tempo que as pessoas humanizam a natureza, elas vêem os seres humanos como seres a parte dela. Costumo fazer uma associação desse pensamento com o mito da criação. Nele, a natureza foi feita para servir ao homem, mas ele foi expulso do paraíso, enfrentando toda sorte de situações inóspitas. Assim, a natureza ora pode representar um paraíso para onde queremos voltar, algo a nos servir, ora pode representar coisas ruins a serem dominadas. De qualquer forma o homem pode dispor da natureza.

As visões sobre o utilitarismo da natureza tem caído por terra desde o último século, mas muitas vezes elas permanecem lá no nosso inconsciente.

Reportagem: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL451681-5603,00-ENTENDA+A+BIOINTOLERANCIA+BIZARRA+MANIA+DE+ACHAR+QUE+ALGUNS+BICHOS+SAO+VILO.html

quarta-feira, 16 de abril de 2008

De volta as questões da professora

Olá meus caros,
Vou interromper os posts sobre as visões sobre o feminino para um breve desabafo docente. Em breve eu continuo...

Fim de bimestre é quando ser professor se torna mais intenso em nossas vidas!
Isso certamente é decorrente das famosas provas bimestrais.
Ontem falei (às 23h) com um amigo que prepara 3 provas e hj falei com uma amiga que ia passar o feriado corrigindo-as. Eu mesma nesse momento estou em casa, corrigindo as provas dos meus aluno. Pretendo passar o dia inteiro (até a noite) fazendo isso, mas em um período de tédio, resolvi passar aqui e escrever.

Como diz o Philippe Perrenoud: "a avaliação pode assumir cerca de um terço (ou até a metade) do tempo gasto por um professor, tanto em sala de aula, quanto na preparação. A elaboração das provas e sua correção representa um fardo bem conhecido no trabalho solitário dos professores."
"As práticas correntes de avaliação tomam um tempo considerável e absorvem muita energia e engenhosidade, tanto dos professores quanto dos alunos. Mesmo que o professor não crie sozinho seus instrumentos de avaliação a cada ano, não cessa de remanejá-los e de hesitar em diversas soluções: partir de uma prova antiga ou de uma prova administrada por um colega, partir do zero e preparar uma prova totalmente nova, combinar dois métodos; deve-se ajustar as provas antigas a que se ensinou realmente, renunciar a certas questões que não convém mais, introduzir novos temas, reformular certas instruções."

Realmente eu percebo que é exatamente assim que eu procedo, e vejo meus amigos fazendo o mesmo.

Perrenoud continua:
"O investimento , por parte dos alunos, é diferente, mas não menor. Em torno da avaliação se estabelecem competições, estresse, sentimentos de injustiça, temores em relação aos pais, ao futuro, à auto-imagem. A avaliação implica as famílias e mobiliza também suas esperanças e suas angústias, que pesam direta e indiretamente sobre os alunos e professores."

Tento sempre ter em mente essas idéias e toda vez que passa pela minha cabeça a idéia de fazer uma prova digamos punitiva (do tipo, fazer uma prova muito difícil para "ferrar" com uma turma barulhenta) relembro desse texto e de cada indivíduo que é afetado com esse tipo de atitude vingativa de determinados professores. Além disso, como dizem os behavioristas, punir não é nada aconselhável em um processo de aprendizagem (isso eu tenho que concordar, apesar de discordar de muitas coisas do behaviorismo).

No fim, sempre resta a dúvida: o que fazer? Deixar de aplicar provas?
Não acredito muito nessa idéia, afinal, a prova é um momento que o aluno tem para organizar suas idéias de forma individual, só ele e seus pensamentos.
Na outra mão, o professor pode avaliar essa produção individual, a expressão escrita desse aluno e trabalhar essas questões, afinal aprender a se expressar é mais importante do que aprender qualquer conteúdo específico.

Como fazer então para que as provas não sejam tão massacrantes e enfadonhas na vida do professor e do aluno?
Isso é um grande busca minha como professora... estou aberta a sugestões :)

Bom, agora volto para a minha correção, hehe;

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Philippe Perrenoud - Avaliação - Da Excelência à Regulação das Aprendizagens - Entre Duas Lógicas - Editora Artmed (a parte que eu cito está no capítulo 4 - Os procedimentos habituais de avaliação, obstáculos à mudança das práticas pedagógicas)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

De volta a ativa

Bem, com a correria do ano passado e com as férias que logo se seguiram, meu blog ficou abandonado no cyber espaço. Mas, a pedido de algumas pessoas, vou reativá-lo a partir de agora.
Só para variar, tirei o "pretinho básico" e coloquei um verdinho para ficar menos depressivo.
Coloquei uns links novos também.
A idéia inicial era fazer um blog para desenvolver algumas idéias malucas que eu cultivo, como por exemplo: "você sente seu cérebro funcionando quando pensa em coisas diferentes?", mas essa discussão pode ficar para outro dia.
A idéia de criar o blog surgiu também do fato de ser muito difícil achar pessoas para conversar sobre esses meus pensamentos. Tenho alguns amigos que são bons nisso, mas as vezes é difícil estar junto para conversar, e como sou meu avessa a telefones, a idéia era que houvesse um desdobramento desses pensamentos "isabelescos" aqui no blog mesmo.
Esses pensamentos talvez não sejam originais, nem mesmo tão interessantes assim, mas fato é que eles me ocorrem, e lidar com eles tem sido a principal tarefa (prazerosa, é verdade) da minha vida.
Tanto é que descobri uma forma de ganhar dinheiro para aprender e ficar pensando. Primeiro achei que a pesquisa científica era o caminho, mas ai, em 2007, percebi que sendo professora, teria mais liberdade para fazer isso, afinal, ao invés de pensar sobre a placa 1a dos dinoflagelados (isso é só um exemplo dramático), agora posso pensar sobre gente, sobre biologia e acima de tudo sobre relações.
Além de pensar, tenho um monte de gente com quem falar todos os dias. Como diz a frase escrita em uma caixinha que ganhei no final do ano passado: "Escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece e se estima." (P. Freire). Então, que lugar melhor para se estar do que uma escola? (ou algumas, por conta de demandas da profissão docente 8/).
E foi assim, nesse processo de virar, de vez, uma professora, que o blog foi sendo escrito, e é por isso que por vezes, os posts parecem o relato de uma professora em dúvida.
"O que é importante conhecer? O que é importante fazer?"
São dúvidas existenciais, mas com as quais eu lido quase sempre, afinal, espero que meu trabalho dê ferramentas para meus alunos resolverem, pelo menos em parte, essas questões.
Mais, olha, nem eu sei essas respostas dessas questões para a minha vida, como vou ajudar os outros a alcançá-las? E assim surgem as angústias...
A gente lê vários livros de pedagogia e as dúvidas só aumentam...
Ai o blog virou desabafos de uma professora ansiosa e em crises existenciais-pedagógicas.
Como se não fosse só isso, ainda tenho que estudar biologia, hehe
Aguardem mais crises!

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Sobre a deliciosa e confusa utopia das leis - com um estudo de caso sobe a LDB

Em minha atual fase de estudar para concursos, estou finalmente estudando sobre a Lei 9.394/96.
Para quem não é (e até p/ que é) da área de educação, essa é a lei que determina as diretrizes e as bases da Educação Brasileira (LDB).
Bom, eu não sou "adEvogada", então, eu acho as leis coisas muito esquisitas. As que já tive mais contato são as sobre meio ambiente, as de defesa do consumidor, o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e finalmente a LDB.
Acho que a primeira sensação de todos que já leram essas leis é de como tudo seria perfeito se elas funcionassem. Acho também que isso é um pouco de ilusão de leigo, pq um historiador ou um filósofo certamente criticariam vários pontos das leis sob um ponto de vista social, cultural, político, etc.
Já um advogado apontaria várias falhas e dificuldades de aplicação... as famosas margens das leis.
Bem, eu não tenho essa capacidade de discernimento, por exemplo, eu achava o PCN (os parâmetros curriculares nacionais) o máximo, até que os meus professores da faculdade começassem a apontar vários problemas.

Mas voltando a LDB, estou lendo um livro que diz que no seu artigo 2, a LDB estabelece que "A educação (...) tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o mercado de trabalho".

Refleti sobre a minha prática como professora e vi que tenho atuado e posso atuar no preparo dos meus alunos para o exercício da cidadania e para o mercado de trabalho, mas o que afinal seria o pleno desenvolvimento????

O autor do livro diz que "somente a partir do momento em que a pessoa pode se desenvolver plenamente é que tem condições de se sentir realizada. Realizar-se significa executar planos que cada um estabeleceu para a sua vida. (...) A auto-realização é um objetivo predominantemente pessoal: na medida em que nos sentimos realizados, ficamos felizes. É claro que isso nunca acontece de maneira plena. Se assim fosse, não teríamos ânimo para continuar vivendo. Por isso, nossa realização é momentânea e sempre superada por novos planos."

Putz! Como posso ajudar meus alunos a atingir um pleno desenvolvimento??? Eu acho que nem sei como atingir isso na minha própria vida! Não sei responder isso, ainda estou digerindo essa idéia, e acho que vai ser uma digestão demorada...

Essas leis são bem ousadas, não?! Vai ver a ousadia torna elas assim tão distantes da realidade... ou não, tenho que pensar mais sobre isso! Preciso de ajuda de advogados (só p/ começar! depois de filósofos e historiadores).

Ah! O livro é "Estrutura e Funcionamento do Ensino Fundamental" de Nelson Piletti (Ed. Ática). Ele é muito bom para que detesta estudar sobre estrutura do ensino (assim como eu).

sábado, 1 de setembro de 2007

Sobre digestão e analogias

Há um tempinho não "apareço" por aqui.
Em parte isso se deve ao fato de eu estar usando muito do meu tempo livre para ler.
E se leio muito, preciso de um tempo para "digerir".
Digerir me lembra uma outra crônica do Rubem Alves presente no livro que eu comentei na última postagem. A crônica se chama"O que é científico? (II)" e nela, ele cita Nietzsche, quando ele diz "que a mente é um estômago". Quem entende como é o estômago entende como funciona a cabeça.
Nessa crônica, o Rubem discute a relevância do uso de analogia na educação. Muitos autores criticam o uso de analogias, pois elas fazem com que o aluno não compreenda de fato um conceito e sim vire um mero reprodutor da analogia em si, e não um conhecedor do tema objeto. Discussões a parte, e um pouquinho de senso comum: grandes professores meus abusavam de analogias e isso tornavam as suas aulas mais interessantes.
Mas não foi o controverso uso das analogias que me chamou mais atenção em si, e sim a relação estabelecida entre estômago e mente.

"O estômago é órgão processador de alimentos. Os alimentos são objetos exteriores, estranhos ao corpo. Ele os transforma em objetos interiores, semelhantes ao corpo. É isso que torna possível a assimilação. Assimilar significa, precisamente, tornar-se semelhante (de assimilare, ad + similis).
A mente é um processador de informações. Informações são objetos exteriores, estranhos à mente. A mente os transforma em objetos interiores, isto é, pensáveis."

O que mais me chamou atenção nessa crônica, foi entender o significado de "assimilar". Achei isso fantástico e belo: ad + similis, tornar-se semelhante. Que "imagem" mental!
Achei que precisava comentar isso com mais pessoas. Ser humano tem disso, precisa se comunicar e sair por ai ad + similis.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Parafraseando: sobre leitura e burrice

Começando do começo: O título dessa postagem se refere a crônica "Sobre leitura e burrice" de Rubem Alves.

Rubem Alves é jornalista e escritor. Ele tem vários livros publicados, muitos dos quais sobre educação. Na minha curta experiência nessa área, eu já percebi que muita gente AMA o que ele diz e muitos outros ODEIAM.

O fato é que ele escreve sobre uma educação baseada no prazer do aprendizado, sem explicar muito bem como se faz isso. Eu já conhecia um livro dele há um tempo, chamado "Por uma educação mais romântica", mas foi ao comprar um livro do Gilberto Dimenstein que eu me deparei mais uma vez com o Rubem Alves.

A história é a seguinte: comprei um livro do GD pelo site submarino e por mais R$ 12,90 eu levaria um livro do Rubem, chamado "Entre a ciência e a sapiência - o dilema da educação". Como, naquela época, eu já fazia a linha cientista-que-critica-a-ciência, comprei, afinal era mais 12,90 com frete grátis!

Isso já faz um certo tempo, mas eu só fui ler de fato esse livro esse ano. Estava gostando MUITO até que me deparei com essa crônica. Nela, ele defende a idéia de que ler demais emburrece, e diz que a tese de que "livros: quanto mais melhor" equivale a dizer que "comida: quanto mais melhor", se referindo a essas pessoas que tem o hábito de querer entupir as outras de comida, o prazer inicial se transforma em indigestão.
Quando comecei a ler, me identifiquei porque, no colégio, fui obrigada a "engolir" muitos livros chatos com o ápice em "São Bernardo" de Graciliano Ramos. Que me perdoem os amantes da literatura brasileira, mas tudo que eu pensei durante um ano foi em fazer uma fogueira com esse livro. O mais engraçado, é que não me lembro de nada do livro, nem sei dizer ao certo porque não gostei, mas a sensação de raiva por ele é muito marcada na minha mente.
Mas depois... fui pensando melhor e puxa vida, eu gosto muito de ler, e a maioria dos livros me acrescentaram muito!
Mas o Rubem pega pesado! Ele cita Schopenhauer: "Quando lemos outra pessoa pensa por nós: só repetimos seu processo mental. Durante a leitura, nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios." e diz que ler é um ato de alienação.
Como pode um escritor dizer isso?

Bem, depois da minha raiva por "São Bernardo" vei o meu amor por dois livros em especial: "Tempo de Transcendência" do Leonardo Boff e "Pedagogia da Autonomia" de Paulo Freire.
Alguma coisa já mudou a sua vida? Algum livro já mudou a sua vida?
Esses mudaram a minha!
Quando li, reconheci valores importantes para mim, os quais eu estava meio desacreditada na época. Além disso, aprendi muitas coisas. Mas, nem Leonardo e nem Paulo me alienaram com suas idéias, por que eles sabem (ou sabiam) que quando eu lê-se as suas idéias, estaria munida de minhas percepções individuais.

Todos nós somos resultado de nossas experiências, e por isso nossa percepção é única e muito subjetiva. Achar que alguém vai sempre assimilar idéias de forma passiva e descontextualizada é no mínimo uma ingenuidade.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Quer resolver o problema do aquecimento global? Dê um "click"!

De volta das desejadas e usufruídas FÉRIAS!

Gente,
hj eu vi uma das coisas mais surreais da internet: um calculador de emissões individuais de carbono.

Ele faz umas perguntas básicas do tipo quanto você gasta por mês em dinheiro, energia, se tem carro a gasolina, anda de ônibus, etc e estima quanto cada pessoa contribui para a emissão de gás carbônico.
A idéia do calculador, não foi o que me surpreendeu.

Eu já conhecia sites que calculavam a "pegada ecológica", ou seja, qual seria a quantidade de planetas Terra necessária caso todos os habitantes do planeta tivessem os mesmos hábitos de consumos que os meus.
No primeiro site desses com o qual tive contato, http://www.ecologicalfootprint.org/Global%20Footprint%20Calculator/GFPCalc.html
fiquei feliz, afinal como não tenho carro, nem uma casa grande, etc, o mundo estaria a salvo se todos fossem como eu, hehe. O próprio site indica que isso é só uma estimativa para questionar os padrões de consumo e eu já tinha inclusive usado eles com alunos para discutir crescimento sustentável e dinâmica de populações humanas.


Recentemente encontrei um site similar em português http://www.pegadaecologica.siteonline.com.br/
Este site tem um maior número de perguntas, e segundo ele, se todos fossem como euzinha aqui, precisaríamos de 1 planeta mais um terço de planeta (opa! vou passar a andar mais).

Mas, o mais surreal sem dúvida foi o site do calculador de emissão de carbono!!!
Ao final, descobri que eu sou responsável pela emissão de 12,97 toneladas de CO2 por ano! Não há nenhum parâmetro de comparação para saber se isso é bom ou ruim mas chegaremos enfim na parte surreal:
Segundo o site, para eu resolver o problema, eu teria apenas que plantar 86 árvores por ano e eu poderia fazer isso apenas dando um clique!
Dei o tal clique e apareceu uma tela dizendo algo sobre o mundo ser salvo por pessoas tão consciente quanto eu, blá, blá, blá... por apenas 1032 reais.


Dá p/ acreditar nisso??? Na surrealidade? Dê um clique, pague 1000 reais e resolva o problema do planeta! Simples assim.

Tem coisas que o dinheiro não compra, mas p/ as outra...

Caso tenha ficado curiosa(o), o calcule sua emissão e prepare o cheque
http://www.thegreeninitiative.com/calculator/pt/calculator.php

Esse negócio de Educação Ambiental e mudança de hábitos não tá com nada! O lance é dar um clique!

sábado, 23 de junho de 2007

Que raios é a pós modernidade???

"A que chamamos pós-modernidade? (...)
Devo dizer que tenho uma certa dificuldade em responder a esta questão (...)
porque nunca compreendi completamente o queria dizer quando se empregava o termo modernidade." (M. Foucault)


Penso muito e ajo pouco, tem gente que dá um nome bonito p/ isso: ócio criativo. Me impressiono com essas pessoas que dão esses nomes para as coisas, o que faz com que coisas simples pareçam muito complexas.

Isso se aplica ao termo "pós-modernidade".

Essa semana, na minha incansável busca de texto para entender adolecentes, para tentar ser uma professora melhor e mais "antenada" (arg! hehehe), achei um intitulado "Adolescência: modernidade e pós-modernidade".

O texto é muito bom, mas não vou comentá-lo, se vc for professor(a), curioso(a) ou não tiver o que fazer e quiser ler esse texto, pode pegá-lo em http://www.joseouteiral.com/artigos.htm

Antes que alguém venha criticar a minha descoberta, e dizer que o conceito de pós-modernidade está completamente ultrapassado, posso dizer que a minha atual diversão é tentar descobrir o que é moderno e o que é pós-moderno.

É tipo um joguinho, ih, olha esse programa, hum... ele é pós-moderno! Esse, ah! esse tá mais p/ moderno. Aquele cara ali, hum, deixa ver...

Será que agora, eu tenho que ter pensamentos pós-modernos? Será que isso é uma moda?

Só p/ parecer um pouco pós-moderna, vou falar de outra coisa que aparentemente não tem nada a ver, mas no final vai ter:

Essa semana vi o MTV debate sobre gays que são católicos. O Jean, do Big Brother, lembra?! Ele estava lá. Ele é mto mais inteligente do que o Big Brother deixava parecer. Fiquei feliz que um cara assim, tenha ganho um milhão, mesmo que por trás disso mta gente tenha ganho mtos outros milhões. Mas voltando ao debate, os representante da igreja disseram que não são contra os gays, desde que eles sejam celibatários.

Hum... bem isso não é nem moderno, nem pós-moderno, é medieval!

Nota final: Esse personagens são fictícios e o texto acima não representa necessariamente a opinião da "proprietária" desse blog, não sendo ela responsável pelo conteúdo apresentado.

"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda"

tã, tã, tãrãrã... tã, tãrãrã, tã, tã, tã, tãtãtã